A estabilidade econômica e a segurança jurídica aliada às grandes oportunidades de mercado existentes no país estão transformando o Brasil num celeiro de investimento externo.
Diferentemente de outras épocas onde a entrada de capital estrangeiro tinha um cunho predominantemente especulativo e volátil, sendo que esses recursos eram direcionados ao mercado financeiro e também para aplicações de risco a exemplo da Bolsa de Valores em virtude dos juros altos praticados no país, o ciclo de investimento externo atual tem agora um caráter de longo prazo.
O Investimento Direto, que inclui apenas investimentos para aquisições de empresas e para novos investimentos já deduzidos o retorno de capital para os países de origem ultrapassou a cifra de US$ 50 bilhões até o mês de Setembro o que já supera o total investido em 2010 que já é o maior da história de acordo com os dados do Banco Central que iniciou a série em 1947.
Este capital é bem menos influenciado por movimentos de curto prazo, pois é determinado por uma análise econômica de horizonte de tempo mais longo e refletem a confiança de que o país tem grandes oportunidades para estas empresas.
O Chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, observa que “Esses investimentos são determinados conforme os fundamentos e as perspectivas de crescimento da economia. É um fluxo influenciado por uma análise econômica de horizonte de tempo mais amplo e nesse sentido, considerando as projeções da economia brasileira, a tendência é que esses fluxos continuem entrando, isso sem falar nas oportunidades que o Brasil aponta na infra-estrutura, investimentos para a exploração do petróleo do pré-sal e nos eventos esportivos que virão em 2014 e 2016. Nossa perspectiva é a continuidade de entrada desses fluxos no País", afirmou Túlio.
A projeção da autoridade econômica é fechar 2011 com um saldo de US$ 60 bilhões em investimentos diretos, montante mais do que suficiente para financiar as despesas líquidas do país com comércio, serviços, transferências de renda (lucro, juro e salários) e transferências unilaterais.
Outro movimento importante é o de saída de capital do país através de viagens e compras internacionais onde a continuidade do crescimento do País e a taxa de cambio favorável têm propiciado a famílias e empresas, com maior possibilidade de compra, adquirir bens e serviços fora do Brasil.
Do mesmo modo nos primeiros nove meses deste ano, os brasileiros gastaram US$ 16 bilhões em viagens internacionais, contra US$ 11,4 bilhões no mesmo período de 2010. O resultado entre janeiro e setembro deste ano é igual a todo o gasto medido no ano passado. Os gastos de estrangeiros no País, nestes nove primeiros meses de 2011, somaram US$ 4,9 bilhões, gerando um déficit de US$ 11 bilhões (mais gastos no exterior do que entrada de recursos no País com viagens).
Túlio Maciel afirma também que o BC espera um arrefecimento dessa atividade para os próximos meses, já que esse setor é altamente influenciado pela alta do dólar. "Claramente o comportamento do câmbio no período influenciou esse resultado. Essa parte é muito sensível ao câmbio, as pessoas tornam se mais cautelosas ao gastar no exterior”.
Apesar da recente desvalorização do Real em relação ao Dólar decorrente da migração de capital para ativos em dólares relacionados com a crise financeira européia, a fluxo continuo entrada de capital estrangeiro no país tende a manter o Real valorizado no médio prazo, salvo algum movimento econômico temporal que possa influenciar nesta tendência.
De qualquer maneira, o cambio valorizado diminui a competitividade dos produtos produzidos aqui, o que é uma força contrária a valorização da moeda e que o Governo precisa manter a atenção visando proteger a indústria nacional e o emprego.
Vanderlei Corral
Vanderlei Corral
Professor, Consultor, Economista e Coach
02/11/2011
34-9198.5957 - 34-3083.7889


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